Violência interpessoal e autoprovocada em Fortaleza: análise das notificações do SINAN entre 2021 e 2024
DOI:
https://doi.org/10.54901/educa.v9-311Palavras-chave:
violência, violência interpessoal, lesão autoprovocada, Sistemas de Informação em Saúde, FortalezaResumo
A violência interpessoal e autoprovocada constitui um problema relevante para a saúde pública e para a rede de proteção social, especialmente em contextos urbanos marcados por desigualdades sociais e territoriais. Este trabalho tem como objetivo analisar as notificações registradas no SINAN por unidades notificadoras localizadas em Fortaleza, entre 2021 e 2024, buscando caracterizar os padrões observáveis nos registros segundo evolução temporal, tipologias de violência, faixa etária, sexo, recorrência e local de ocorrência. Metodologicamente, trata-se de um estudo descritivo, baseado em 40.529 notificações delimitadas pelo critério de município de notificação. Os dados foram organizados segundo a data de notificação, considerando que as tipologias de violência correspondem a marcações múltiplas na ficha do SINAN. Os resultados indicam crescimento expressivo das notificações no período, com passagem de 5.793 registros em 2021 para 13.262 em 2024, acompanhado pelo aumento do número de unidades notificadoras com registros no SINAN, de 97 em 2021 para 139 em 2024. As tipologias mais frequentes foram violência psicológica, violência física e lesão autoprovocada, seguidas pela categoria “outras violências”, violência sexual e negligência/abandono. Observou-se concentração da violência sexual entre crianças e adolescentes, da lesão autoprovocada entre adolescentes, jovens e adultos em idade produtiva, e da negligência/abandono nos extremos etários. A violência de repetição esteve fortemente associada ao espaço residencial. Conclui-se que o SINAN constitui fonte relevante para compreender os casos reconhecidos e registrados pela rede de serviços, mas não deve ser interpretado como medida direta da incidência total da violência no município.
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